OBESIDADE INFANTIL


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A porcentagem de crianças gordas tem aumentado nos últimos anos a despeito de toda a pedagogia do culto ao corpo.
As causas para isto são variadas : primeiro, a mudança dos costumes nos hábitos alimentares insuflados pela ótica americana dos sanduíches e “potatoes ”, fast food , balas e chocolates à vontade, poucas frutas e muito refrigerante. Aliado a isto, nossas crianças e adolescentes estão muito paradas em frente a televisão _ a mídia está aí a assolar o cotidiano das pessoas , associada aos micro-computadores pessoais cada vez mais usados.
Seguindo com nossa etiologia, sabemos também que os pais, se orientando por uma pretensa democracia do fazer, não tem colocado muitos limites aos pequenos. Eles só comem o que querem. Há um excesso de mimos que eu refuto como tão prejudiciais quanto a sua falta. É preciso cuidado com isto . As crianças têm lanchado muito fora de casa ; não que comer fora de casa sempre vá levar ao engordar_ hoje em dia há excelentes restaurantes com buffets balanceados orientados por competentes nutricionistas com carboidratos e proteínas na dosagem certa ,mas, a criança não acostumada desde cedo a comer certo, está, como falávamos, preferindo ao meio-dia, sanduíches, pizzas ou simplesmente macarrão.
Além do mais, com o poder aquisitivo em alta e a grande disponibilidade em supermercados, aumenta o número de sobremesas ingeridas e estas têm sido apresentadas como prêmio se a criança come tudo, ou pior, como substitutas no caso dela não comer e a criança logo saberá como proceder a troca.
Também não adiantará colocá-la de castigo se ela não quiser comer verduras, por exemplo: o ideal é motivá-la a experimentar a alimentação antes de dizer_ Não gosto. Torna-se imprescindível o exemplo dos pais e a orientação dos bens e vantagens de uma refeição com mais qualidade, apelando mesmo para o senso estético do adolescente e para sua vaidade ( chocolate dá espinha, falta de verduras e proteínas resulta em musculatura frágil e envelhecimento precoce, em pele mal nutrida, etc, etc. ) Além do mais, sabe-se que a identificação de paladar é também uma questão cultural e afetiva que deve ser plantada em nossos neurônios desde cedo. É acostumar nossas papilas gustativas com tal e tal gosto. Porisso, os japoneses gostam de sushi desde cedo, os brasileiros de feijão, os escandinavos de bacalhau...Muito interessante, esses aspectos!
Outra questão é a hora do comer em casa ser cultivada como uma hora de relaxamento e tranquilidade_ uma hora de conversa agradável e suave. Há famílias em que a mesa se transforma num palco de acertos de contas, enquanto o comer fora ( em lanchonetes) é trazido à memória da criança ou adolescente como um programa. Cuidado com isto também! A comida em casa tem que ser valorizada; a lanchonete é apenas um substituto esporádico.